AM Turismo 93013
AM Turismo
Cimadon Informática
Badotti Topo
Covid 2 98868
Menu 2020

Notícias

Home >Notícias >Quirera Gourmet – 01/04/2020

Quirera Gourmet Visualizações: 23694

Quirera Gourmet – 01/04/2020

Quirera Gourmet – 01/04/2020

Ditadura, Nunca mais!

Como fazia regularmente na manhã de certo dia de março de 1964 fui espiar a Rua Fidêncio de Souza Mello, fundos do terreno do seu Romeu e da Dona Alice, ali na frente do Colégio Joaquim Nabuco, ao lado da casa onde morava seu Mário Cassol e família, no centro de Xanxerê. Estava garoando naquela manhã que parecia inverno, com neblina baixa e poucas pessoas na rua – não tinha aula e o Nabuco estava fechado. E tinha um estranho caminhão do Exército estacionado, com carroceria enlonada, alguns soldados ao redor, parado à esquerda, ao lado da casa do Ex-prefeito de Xanxerê, Adílio Fortes, quase na esquina com a Olavo Bilac. Seu Adílio era compadre do meu pai e seus filhos amigos de meus irmãos mais velhos. Banhos e pescarias no Rio Xanxerê, nos pocinhos do grupo e do Giordani, ali perto, e peladas no fim da tarde no pátio do ”grupo”, como era conhecido o Joaquim Nabuco, eram as diversões mais frequentadas. A turma contava ainda com bravos representantes das famílias Cassol, Marques, Puerari, Giordani e outros, que agitavam as redondezas do Grupo. Mas naquele dia não tinha agitação alguma, eram umas dez horas da manhã e o caminhão, enorme, parecia que ocupava a rua inteira. Assustador. Mas estranha ainda era a imagem daqueles soldados, armados de fuzil e em posição de sentido. Daí a pouco houve movimentação e pude ver seu Adílio sendo conduzido por soldados até o caminhão. Uma prancha de madeira foi improvisada para servir de rampa, por onde vi Seu Adílio ser empurrado e chutado para dentro da carroceria. Com medo, dei meia volta e corri para casa. Minha mãe, já rigorosa no policiamento dos filhos quanto a “sair pra rua”, naquele dia estava mais exigente: Não era para sair de casa, ái de quem botar o pé na rua! Na hora do almoço e escutando “conversas de gente grande”(que eram só pra gente grande) fiquei sabendo que seu Adílio foi preso. E que ele seria de um tal “grupo dos onze”, que quem eu já havia ouvido falar. Com dez anos, naqueles tempos sem televisão e pouquíssimas notícias do Brasil e do mundo chegando pelo rádio, levei anos para decifrar o que tinha assistido: Um capítulo xanxerense do golpe militar que derrubou o Presidente eleito democraticamente João Goulart. Nos dias a seguir o boato era que seu Adílio era comunista e que já teria viajado até para Cuba. Mentira deslavada. Seu Adílio raramente saía de casa e uma viagem dele – para qualquer lugar – seria notícia para toda a turma da rua. Fora que seu Adílio ser comunista era algo totalmente fora de cogitação. Mas o boato correu na cidade. Anos mais tarde (1990, eu acho), já como jornalista e repórter do Jornal de Xanxerê, fui entrevistar seu Adílio nessa época morando em Chapecó. Não consegui fazer a entrevista, ao menos não do jeito que eu pensava. Seu Adílio, muito gentil como sempre, pediu que eu não gravasse nada, e nem anotasse o que ele me diria. ”Baixe a caneta, Scirea”. E eu concordei. A partir daí ouvi o relato de um homem triste, amargurado, injustiçado, mas tranquilo, usando palavras serenas e com muita dignidade. Sem ódios. Mesmo quando falava de coisas escabrosas ocorridas a partir daquela manhã de março de 1964. Contou que perdeu propriedade rural, tomada pelos militares na mão grande, e que muita gente em Xanxerê (sem citar nomes) havia sido injusta com ele. Sentiu-se abandonado… Por isso ele saiu da cidade e foi morar em Chapecó, onde permaneceu até seu falecimento. Me disse que não queria falar de Xanxerê dessa época da ditadura. E deu uma inesquecível resposta quando perguntei: “Seu Adílio, como era Xanxerê, no tempo em que o senhor foi prefeito (1955-1958)”? Ele: “Xanxerê era um enorme atoleiro, há umas quinze léguas de Chapecó”. Conto isso especialmente para aqueles que teimam em dizer que não houve ditadura, nem violência, nem injustiças. Ou que “a revolução de 64” foi para impedir o comunismo!!! Foi nada! A ditadura existiu e eu vi. Dava muito medo! E tenho várias histórias que vivi e participei, não apenas em 1964, mais em muitos dos anos que vieram depois. Foram anos de escuridão e de muitas injustiças, como as que foram cometidas contra Adílio Fortes! E contra milhares de brasileiros de muito valor!

Ditadura, Nunca Mais!

Publicidades

Pódium Veículos Interno
AE Interno
Becks Calçados – Interno
Vincenski – Divisórias BJ Interno
Cruzeiro do Sul Interno
Refazenda – Interno
Funerária Giroletta
LisaFarma Interno
Barbearia Cesar – Joi Interno
Super Limpo – Interno
Salão Fran Interno
Academia Matheus Deap Interno
Aroma de Café – Maicon Imbes (interno)
Leomar persianas Interno
For boys rodapé
Reana central